Antigo blog Anderson Ribeiro

Há quem, com seus superpoderes, domine ler pensamentos. Destes, há quem os ouça, inclusive. Nestes, costumo provocar ilusão de áudica. Anderson Ribeiro
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fevereiro 12, 2016

Tacho de doce


Eu sou o mais velho
Assim como meu pai
Tal como minha avó
Sou espelho de feiuras e belezuras
A maioria à moda antiga, que é como aprendi
Sei que histórias são bens valiosos
Trago muitas comigo
Elas vão da galinha preta no porão ao violão e as risadas impagáveis
Cantava alto fazendo graça
É que aqueles olhos azuis eram assim: fortes.
Meu pai dizia: - pode bater, se precisar!
Nunca levei um tapa!
Não quer dizer que não dei motivo
Um vez caí com uma faca a um centímetro do olho
Tenho cicatriz ainda
É que aqueles olhos azuis eram assim: doces.
Sempre ouvi que este ano não haveria festa no Natal
Sempre houve!
Em um deles meu tio me deu 3 cuecas
Criança sente essas coisas!
Meu Ferrorama eu nunca ganhei
Mas vi nascer todos os primos
E fui no casamento de todos os tios
No da tia me acharam dentro da caixa de doces do buffet
Lembro dos tachos de doce ainda com açúcar
Não era proibido naquele tempo
- Seu avô agora só vai poder ajudar ao seu pai, ninguém mais!
- Toma esse dinheiro e vai comprar pão!
- Perdi a nota na rua, vó!
- Tava era correndo atrás de papagaio que eu sei!!!
Sim, sempre muito lúcida
Ainda sou o mais bonito
Ainda sou o mais velho
Assim como meu pai
Minha avó, que sempre fora encantada, parou de contar.

Anderson Ribeiro
12 de fevereiro de 2016


Um comentário:

Arley Bequadro disse...

Eu nunca sei se você é o mais verdadeiro poeta do mundo ou se sou eu quem consigo me aproximar tanto de você até vestir a sua pele. Muitas vezes dói, mas vale mesmo assim

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