Antigo blog Anderson Ribeiro

Há quem, com seus superpoderes, domine ler pensamentos. Destes, há quem os ouça, inclusive. Nestes, costumo provocar ilusão de áudica. Anderson Ribeiro
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janeiro 04, 2015

Entabulário


Entabulário

Mensuro pirâmides redondas
E apago em mim sua ilusão de áudica
Cenas de fotografagia acometidas de ritmos
Seres humanos que entorpecem os sentidos
Cenas sonoras de outro mundo
Nós surdos
Nós dois
Nos dois sentidos infinitos
Nós que sabemos desentender
Nos desfazeres que sabemos
São sentidos que se juntam, que se dividem
E são sentidos incondicionalmente, esses são os bons.
Entabular uma prosa com o sopro
Soprar uma flor que se esfacela e voa
O rumo é o ritmo do vento que resvala no ser
E o ser é aquele que contém um nada composto
São lados infinitos
São espalas curvas as que encaram a verdade
Cegas que vislumbram outras vertigens
Nós nos tornamos ventre
E nascemos dele
Nós nos desfazemos
Nos nós que fazemos
E enquanto os lados se curvam
A mente recria
A mente desdobra as formas finitas
E as formas que mentem o que são
Caem em contradição.

Anderson Ribeiro
01/02/2015

Mini Superlativos


Mini Superlativos

Minha relação de superlativos inclui os mínimos.
Inclui a síntese discriminada.
O ínfimo que se agiganta.
Minha relação de superlativos inclui a ausência, as suposições e as tentativas.
Inclui as camadas e exonera abstenções, várias delas.
Os latifúndios não se inclui, no fundo não existem.
No fundo se apequenam.
Minha relação discrimina suspiros mas não descrimina seus algozes.
E em meus suspiros relutam seus meios, seus regalos.
São camadas e são inteiros, seus intervalos.
Adiante dos mínimos estão as metades
E das metades as fraturas dos gigantes.
Todas as sequências tem uma sina
A da eloquência é a surdez.
A da balburdia o pecado do tolo.
Quem tem encantos sofre de seus cataclismas
Pois é do instante que vivem os prazeres e sua doses.
É do imediato o sabor do tempero.
A erva que prevalece.
São sinônimos de trevas e luz.
São a resposta.
Minha relação de superlativos inclui os mínimos
Inclui a vontade descriminada.
O querer que se justifica.
A razão que nunca houve.
A semente surda.
A resposta que ouço.
O que canto.

Anderson Ribeiro
04/02/2015

janeiro 02, 2015

Alice

Alice


Quem ali se preocupava?
Quem ali se encantava?
Quem ali se encontrava?
Quem ali se deslumbrava?


Quem ali se arrependia?
Quem ali se escondia?
Quem ali se desmanchava?
Quem ali se perpetuava?

Quem ali se corrompia?
Quem ali se contorcia?
Quem ali se distorcia?

Quem ali se agigantava?
Quem ali se apequenava?
Quem ali se encontrava?

Anderson Ribeiro
02/01/2015
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