Há quem, com seus superpoderes, domine ler pensamentos. Destes, há quem os ouça, inclusive. Nestes, costumo provocar ilusão de áudica. Anderson Ribeiro
Blog Anderson Ribeiro

agosto 06, 2015

A Cena Rock da Contagem das Abóboras

Matéria do jornal Folha de Contagem feita pelo Victor Machado sobre a cena rock da cidade da qual eu tive enorme orgulho de participar. 

Acesse este link para ler a matéria completa! 

Também saiba mais sobre a Conexão Contagem Alternativa e a cena rockeira da cidade.

março 06, 2015

Resumo


Eu tenho um silêncio de lusco-fusco
E asas de nadar feito minhoca
Tenho rédeas translúcidas
E cabresto sob medida para pular de pára-quedas
Uma loucura lúdica de empinar pipa
E um atabalhoamento de fazer cócegas
Costumo um estampido  exagerado
E tenho gelinhos de estimação que enxugo sempre que não é possível
Tenho palavras soltas e ideias inatingíveis
Tenho alguns sorrisos e uns amigos que riem deles
Uns poucos relâmpagos debaixo do braço que são pra sonoplastia própria
Não me imagino sem meus pasteis de vento solar noturno
São lindos!
Uma vez tive um esparadrapo por uma semana
Ficava no pé curando verruga
Me desfiz deles
Troquei por algo menos bolorento e doído
Acho que meu relâmpago era trovão, raio não era
Ainda tenho uma caixinha com letras bonitas
Dessas que dizem da gente em troca de sorrisos
Vivo tendo de explicar que decidi parar de sentir cócegas
E que já xinguei o monstro de areia dos meuis sonhos infantis
Dei uma lição nele
Meu menino não me larga
Nem eu dele
Dois bobos alegres
Me restam muitas histórias de protagonista
Isso é bom pra viver mais
Tenho amores e umas rabujices
Acho que por causa do atabalhoamento
Acho que por causa do improviso
Eu tenho sonhos de vagalume
Desses que iluminam o breu pra dar uma espiadinha
Eu tenho sorte
E um amor que cuida de mim

Anderson Ribeiro
06/03/2015


fevereiro 04, 2015

Redoma


Vendo destroços de um homem morto
A venda e os olhos combinam o valor da cena
Encerro os lábios de um riso torto
As formas contínuas de quem tem talento para superar campos de força
Estendo a mão mas a proeza me foge
E só me ama quem tem a visão alem do alcance.
Encerro um poema que entabula um ciclo
Circulo palavras que me entregam a mim
Duvido das teorias que sentenciam pecados
E peco ao amontoar medos em vão
A busca é a do ritmo que seduz
Aquele o qual qualquer querer o quer
Quando todas as sentenças perderam o valor
Vamos dançar!
Subjetivo é o verbo em que as verdades convergem
O mais amplo dos poderes
O mais vertical dos sentires
Alienígenas nascidos aqui
Mutantes que nossa culpa forjou
Silêncios barulhando ideais
Rumo ao som que retumba
Gélidos vulcões prestes a desistir
O magma que acalma qualquer rebento
Sons que movimentam centenas de centelhas
Sufixos que sequelam seus pares
Retumbo vertigens de um homem corpo
Sou fotovoltaico!



Por Anderson Ribeiro
04/02/2015

janeiro 04, 2015

Entabulário


Entabulário

Mensuro pirâmides redondas
E apago em mim sua ilusão de áudica
Cenas de fotografagia acometidas de ritmos
Seres humanos que entorpecem os sentidos
Cenas sonoras de outro mundo
Nós surdos
Nós dois
Nos dois sentidos infinitos
Nós que sabemos desentender
Nos desfazeres que sabemos
São sentidos que se juntam, que se dividem
E são sentidos incondicionalmente, esses são os bons.
Entabular uma prosa com o sopro
Soprar uma flor que se esfacela e voa
O rumo é o ritmo do vento que resvala no ser
E o ser é aquele que contém um nada composto
São lados infinitos
São espalas curvas as que encaram a verdade
Cegas que vislumbram outras vertigens
Nós nos tornamos ventre
E nascemos dele
Nós nos desfazemos
Nos nós que fazemos
E enquanto os lados se curvam
A mente recria
A mente desdobra as formas finitas
E as formas que mentem o que são
Caem em contradição.

Anderson Ribeiro
01/02/2015

Mini Superlativos


Mini Superlativos

Minha relação de superlativos inclui os mínimos.
Inclui a síntese discriminada.
O ínfimo que se agiganta.
Minha relação de superlativos inclui a ausência, as suposições e as tentativas.
Inclui as camadas e exonera abstenções, várias delas.
Os latifúndios não se inclui, no fundo não existem.
No fundo se apequenam.
Minha relação discrimina suspiros mas não descrimina seus algozes.
E em meus suspiros relutam seus meios, seus regalos.
São camadas e são inteiros, seus intervalos.
Adiante dos mínimos estão as metades
E das metades as fraturas dos gigantes.
Todas as sequências tem uma sina
A da eloquência é a surdez.
A da balburdia o pecado do tolo.
Quem tem encantos sofre de seus cataclismas
Pois é do instante que vivem os prazeres e sua doses.
É do imediato o sabor do tempero.
A erva que prevalece.
São sinônimos de trevas e luz.
São a resposta.
Minha relação de superlativos inclui os mínimos
Inclui a vontade descriminada.
O querer que se justifica.
A razão que nunca houve.
A semente surda.
A resposta que ouço.
O que canto.

Anderson Ribeiro
04/02/2015

janeiro 02, 2015

Alice

Alice


Quem ali se preocupava?
Quem ali se encantava?
Quem ali se encontrava?
Quem ali se deslumbrava?


Quem ali se arrependia?
Quem ali se escondia?
Quem ali se desmanchava?
Quem ali se perpetuava?

Quem ali se corrompia?
Quem ali se contorcia?
Quem ali se distorcia?

Quem ali se agigantava?
Quem ali se apequenava?
Quem ali se encontrava?

Anderson Ribeiro
02/01/2015

novembro 15, 2014

Conto

… mas o final, não conto.

Por Anderson Ribeiro

outubro 05, 2014

Poema Infinito



Poema Infinito

Eis que me encontro labutando finitudes.
Elas, que não acabam, acabam fecundando encontros (e seus desvios).
Em torno das finitudes, adjacentes seus brotos, seus dejetos...
É um caminho.
Penso em olhos azuis, lembro de força, vejo doçura.
São gritos, silêncios, filhos e filhos dos filhos e dos filhos.
Natais, primaveras, canteiros e latas diversas com flores.
Tudo serve, tudo frutifica em qualquer cantinho.
Finitudes são finais de semana, são semanas inteiras, meses.
Não vou falar dos anos, não vou falar.
Talvez do tempo, este sim, pulverizado, subjetivo e anacrônico e sempre atual.
As subjetividades das finitudes são opacas, me lembram o grisalho dos fios e a fumaça do café.
Me lembro das perdas e me lembro dos natais (com a devida licença poética).
É que do alto de minha alma formal, nasci improviso: O que vem pronto, desconstruo.
Coisas que acabam e coisas que não acabam (além das que acabam sem acabar).
Às indas e vindas das finitudes transbordam colapsos:
Os cantos ficam sempre mais cheios e o pensamento confuso.
São muitas as finitudes, muitas mesmo, algumas especiais.
Algumas são vertigens, outras infâncias, outonos e outubros...
Mas também são janeiros, muitos janeiros.
Sei que já havia citados os meses, então repito... hoje posso!
É que já hoje chorei, mas agora escrevo,  e sou infinitamente poeta neste momento.
Ontem mesmo sorri, ontem mesmo beijei e ganhei presentes...
Claro, além dos olhos azuis!
Doce de leite, goiaba, ameixa...
Pode lamber a colher de pau, se acabar tem mais!
Amor de fogão à lenha!
Às vezes poder se acabar em finitudes é muito bom,
Porque no tempo delas acontecerem é que somos perenes,
Nos tornamos.
É o tempo de sermos.
É o tempo.
Lembro de amor (para finalizar).
Tim-tim!

Anderson Ribeiro
05/10/2014

julho 13, 2014

Ciclo


Ciclo

Antes de minha morte eu vivi algumas vidas
Antes do outono as tempestades passavam
Quando eu era velho havia cores a criar
E enquanto entardecia elas se ofereciam

Antes da minha vida eu morri algumas vezes
Porque antes das primaveras o sol se calava
Enquanto eu desenhava a minha sombra ele brincava assim
E depois desse esforço eu sussurrei uma nota

Parte do grito é confuso
E metade do resto não conta
Tanto da hora é pecado
Mas a vida que segue termina

Antes de minha morte eu desaprendi a contar
Antes do outono não havia mais
Quando eu for jovem bradarei pinceis
Para quando amanhecer poder sorrir.


Por Anderson Ribeiro

novembro 12, 2013

Bêbado

Bêbado

Sei que eu não sou um bom cantor... mas quem pode com quem está feliz?

Anderson Ribeiro
02-11-2013

outubro 29, 2012

Theometria











Theometria

Certa vez desenhei um triângulo com mil lados
Depois de pronto o chamei quadrado redondo e
Em cada lado escrevi uma história
Depois de escritas as chamei de Cantos e
Em cada canto folheei mil páginas
Depois de lidas as chamei de asas e
Em cada asa voei mil dias e
Em cada dia desenhei um triângulo
De mil lados.

Anderson Ribeiro
29-10-2012

agosto 25, 2012

Sarau

Se canta
Ouvidos
Se dança
Tremidos

Lê-se
Se Dança
Se canta
Talentos

Todos Trovadores
Recitam

Tão trilhadas trocas
Cabem Versos
Solfejos
Jograis
Mais amigos

Antigos Menestreis
Tens Cantigas
Antigas
Perdidas
Reunidas
Queridas
Sofridas

Por Anderson Ribeiro

dezembro 18, 2011

Urbi Et Orbi na Feira da Paz de Contagem

Foto de show da Urbi Et Orbi na Feira da Paz de Contagem, no Eldorado, onde hoje é o Big Shopping. Da esquerda para a direita: João (Voz), Wander (Guitarra base), Betinho (Bateria) e Anderson (Baixo e Voz).

março 13, 2011

Bravo!



... e minha mãe me aconselhou:
- Filho, seja mais manso!

março 03, 2010

Somadêro

Não obstante a pouca ciência acadêmica que trazem consigo, há tipos que transferem aos de bom acabamento do coração alguns tantos e deliciosos momentos de lúdica sapiência. Das coisas simples que sabem, que vivem e que, sem maiores intenções, ensinam, sua experiência em colecionar e cuidar de seus calos é algo de maior valia. Com seus trejeitos e causos de amores e horrores, por mais maltrapilho do côco que se esteja, algum fiapo de sabedoria se há de lumiar na alma, pelo menos.

Deve ser que quem sabe que manga dá em árvores porque já subiu em uma e leite vem da vaca porque já experimentou uma caneca quentinha tenha alguma vantagem sobre quem compra tudo pela Internet, até a vaca. Porque como têm que ver a mimosa para fechar o negócio, dá tempo de ouvir bem o berro, sentir um tanto o cheiro, prosear sobre o mangueiral e, desconfiado, mastigar um capim, que ninguém é de ferro. Quem decide o norte à sombra de verdes folhas o faz normalmente com menor derramamento de bílis e sabe que viver o tempo deste presente firma a batida do coração, cadencia-o e discorre sobre sabores, mesmo sem se dar conta assim, dessa forma.

Sem tempo não há sabor, e sem sabor o tempo se limita a prazos a serem cumpridos, etapa após etapa, sem degustação. Nem a geração Tetra-pac é de ferro, mas não foi avisada, em grande parte, de que há vida além do PS3 e suas víceras de silício, plástico e sabores virtuais. A velocidade imposta em suas teclas denuncia sua temperatura neural que desafia o tempo da compreensão dos porquês: mais valem os bônus e a pontuação. Bom, que vença logo o jogo antes que a ventuinha pare e a fonte queime ou os neurônios derretam. Tanto melhor. 

Por vezes me pego pensando em até que ponto a tecnologia ajuda e a partir de quando ela mumifica. Claro que não chego nunca a nenhuma conclusão, pois são só declarações de motivos os quais nunca se entendem. Entretando, sinto por vezes que a revolução industrial nos tirou o nosso maior bem, o tempo. Do ritmo alucinante e da produção em massa se agregam valores, mas também se perdem, principalmente os valores simples como justamente esse tal tempo. Todavia, é ele que cicatriza os calos doídos, frutos da velocidade urgente e constantemente lenta com a qual se lida com o novo e o imprescindível. 

No somadêro disso tudo, como diria o poeta sem diploma, o coração morre de desgosto. Bateu tanto e tão rápido e não se lembra de nenhum desses "bit's", por tê-los retumbado sem porquês. Melhor é ser como meu avô que, com sua sabedência matuta e velhaca de quem tem as mãos grossas de calos, sentencia: “Dou parabéns às abelhas pelo mel, mas eu tô é correndo do ferrão”. É a voz de quem encherga as coisas com olhos experientes e sábios. Estes fazem o coração punjar forte quando é preciso e emocionante. O velho é assim, gostoso de se chegar e de se ouvir a prosa e as canções das cabaças que carrega rua afora, observador. Uma ocasião, por exemplo, percebeu que uma casa pintada há pouco havia sido pixada logo em seguida, o dono repintou e logo após, nova pixação, e mais uma pintura e outra pixação, e mais outras de cada uma, intercalando-se. Concluiu: “Devem estar disputando quem tem mais tinta!”. 

É isso! A vida é mais simples do que parece. Viva a comadre Borboleta e o compadre Gafanhoto!


Por Anderson Ribeiro

fevereiro 26, 2010

Disciplina


Hei de enlouquecer, sim.
Espero!
Mas, note: conscientemente!
Porque, sê louco, sem saber,
enlouqueceria!

De Anderson Ribeiro

fevereiro 23, 2010

Diapasão

Era ela que de tão poros,
pelejavam-lhe os sentires
Eram eles que de tão puros,
conspiravam-se felizes

Eram atos que de tão santos,
urgiam-se-lhes veleidades
Eram ritmos que de tão altos,
revogavam santidades



Eram ébrios que de tão lúcidos,
confessavam-se eloquentes
Era doce que de tanta sede,
bebiam-se dementes

Eram braços que de tão lúdicos,
folheavam-se sem margens
Era tanto que de tão afoitos,
inverossímeis as vertígens

Era impúdico que de tão louco,
olhavam-se trocistas
Eram verbos que de tão métricos,
alheavam-se calculistas

Eram versos que de tão sórdidos,
conferiam-lhes pedantes
Eram olhos que de tão ingênuos,
proclamavam-nos amantes.

De Anderson Ribeiro

fevereiro 19, 2010

Na Masmorra

Cartas sob paredes sob o sol
Na mesa sob as cartas
A lua eu não vejo
Nem mesmo a luz do sol que me foge
Jogo cartas sobre a mesa
E me jogo também
Inerte sobre a mesa
Ao céu
Sem véu
Sem vida
Na masmorra.

De Anderson Ribeiro

fevereiro 17, 2010

Entrevista Ao Programa Bazar Maravilha

Entrevista concedida ao radialista Tutti Maravilha no seu programa Bazar Maravilha da rádio Inconfidência FM quando do lançamento do livro Algozes.
 
O jornalista e apresentador Tutti Maravilha comanda um dos maiores sucessos da rádio mineira. No ar há mais de 20 anos pela Brasileiríssima FM – e apresentado desde 2005 também pela Inconfidência AM e Ondas Curtas –, o Bazar Maravilha é um programa de variedades muito especial, com personalidade e alegria contagiante. Recebendo os mais expressivos artistas mineiros e brasileiros, o programa também está de portas abertas para os ouvintes, que participam pelo 3298-3442 ou pelo bazarmaravilha@inconfidencia.com.br

Das 14h às 16h, com Tutti Maravilha. 

fevereiro 16, 2010

Gozado

Deu-me então os olhos.
E o sexo lacustre de
Vontade do meu.
Foi translúcida na boca em
Que se desvelou seu corpo,
E fomos um.

De Anderson Ribeiro
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